Refluxo Laringofaríngeo: o Refluxo Silencioso que Poucos Reconhecem
Pigarro constante que não passa. Rouquidão pela manhã. Tosse seca persistente sem causa respiratória aparente. Sensação de bolo na garganta. Necessidade frequente de limpar a garganta.
Esses sintomas raramente são associados ao refluxo gastroesofágico — porque a queimação e a azia, os sintomas mais conhecidos, muitas vezes não estão presentes. Por isso o refluxo laringofaríngeo costuma ser chamado de refluxo silencioso — e por isso é frequentemente diagnosticado e tratado de forma incorreta por anos.
O que é refluxo laringofaríngeo
O refluxo laringofaríngeo é um tipo de refluxo gastroesofágico em que o conteúdo do estômago — ácido, bile ou pepsinogênio — sobe não apenas até o esôfago, mas até a laringe, a faringe e às vezes até as vias aéreas superiores.
Diferente do refluxo gastroesofágico típico, o refluxo laringofaríngeo frequentemente não causa azia ou queimação — porque as estruturas da laringe e da faringe não toleram nem pequenas quantidades de ácido, gerando sintomas locais intensos mesmo com exposição mínima.
O diagnóstico do refluxo laringofaríngeo é mais difícil porque os sintomas são inespecíficos — pigarro, rouquidão e tosse são sintomas de muitas condições — e porque a endoscopia convencional frequentemente não mostra alterações, já que o refluxo laringofaríngeo acontece em episódios breves que não deixam marcas visíveis.

Sintomas mais comuns do refluxo laringofaríngeo
Os sintomas do refluxo laringofaríngeo diferem significativamente dos do refluxo típico. Os mais comuns incluem pigarro frequente — necessidade constante de limpar a garganta, especialmente pela manhã ou após as refeições. Rouquidão que piora de manhã e melhora ao longo do dia. Tosse seca persistente sem causa respiratória identificada. Sensação de bolo ou corpo estranho na garganta — a chamada globus faríngeo. Dificuldade para engolir — disfagia leve em alguns casos. Muco excessivo na garganta. Pigarro e irritação que pioram com o uso da voz por período prolongado.
A ausência de azia não exclui o diagnóstico de refluxo laringofaríngeo — pelo contrário, sua ausência é uma das características que torna esse tipo de refluxo mais difícil de identificar.
Por que o refluxo laringofaríngeo acontece
O refluxo laringofaríngeo compartilha a mesma causa mecânica do refluxo gastroesofágico — a disfunção da barreira antirrefluxo. No entanto, para que o conteúdo chegue até a laringe e a faringe, é necessário que ele supere não apenas o esfíncter esofágico inferior, mas também o esfíncter esofágico superior — a válvula na parte alta do esôfago, próxima à garganta.
A disfunção do diafragma e a desregulação da pressão abdominal têm papel central no refluxo laringofaríngeo — porque quando a barreira inferior falha, o conteúdo sobe pelo esôfago e pode alcançar a parte superior quando o esfíncter esofágico superior também está comprometido.
Como a fisioterapia digestiva trata o refluxo laringofaríngeo
O tratamento fisioterapêutico do refluxo laringofaríngeo atua sobre os mesmos mecanismos do refluxo gastroesofágico — com especial atenção ao padrão respiratório e à coordenação muscular do esôfago superior.
O treinamento diafragmático reduz a frequência dos episódios de refluxo que chegam à região laringofaríngea. A reeducação respiratória melhora a coordenação entre a respiração e a deglutição — reduzindo os episódios de refluxo laringofaríngeo associados a padrões respiratórios disfuncionais. As orientações posturais e de deglutição reduzem os fatores comportamentais que favorecem o refluxo laringofaríngeo.
Conclusão
O refluxo laringofaríngeo é um tipo de refluxo frequentemente subdiagnosticado — porque seus sintomas são inespecíficos e a queimação típica muitas vezes não está presente. Quando identificado e tratado de forma adequada — com abordagem que inclui o componente mecânico — os sintomas melhoram de forma significativa.
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